terça-feira, 7 de dezembro de 2010

“Quando um homem espanca uma mulher, mais do que o seu corpo, o que ele espanca são ilusões, sonhos, projetos investidos na relação" - Fonte: http://araretamaumamulher.blogspot.com

“Quando um homem espanca uma mulher, mais do que o seu corpo, o que ele espanca são ilusões, sonhos, projetos investidos na relação. Quanto mais frágil, mais desprotegida e sem recursos é a mulher, mais ela conta com o marido como protetor, mais importância ela atribui à casa como um lugar seguro. Quando essa ‘ordem natural das coisas’ se rompe e o perigo passa a viver dentro de casa pela mãos do protetor, instala-se na mulher o pânico – com se o chão lhe fugisse debaixo dos pés. Sem protestos, sendo agredida, só lhe resta enfrentar sua própria situação, esquecer os heróis novelescos que prolongam os príncipes encantados da infância e enfrentar a vida real”.

A menina é educada tendo sempre como perspectiva de vida o casamento. Brinca de casinha e boneca, que representam desde a mais tenra infância, seu futuro lar e sues futuros filhos. Durante toda a sua adolescência ela vai sonhar com o príncipe encantado que a escolherá dentre todas as mulheres e a levará ao altar. Juntos, eles construirão um lar feliz e alegre. Ele a protegerá de todos os perigos. Na intimidade ele se revelará apaixonado, ardente. Seus beijos revelam seus desejos. Suas carícias despertam sua sexualidade não
suspeitada.



 É um mundo de sonho e encantamento. Foi assim que ela aprendeu nos contos de fada. É assim que acontece nas novelas e será assim com ela também.

 A menina encontra seu príncipe e o sonho parece que vai se transformar em realidade: festas, presentes, beijos, flores, carinho...

Mas um dia... nervoso com as agressões cotidianas, ele chega em casa e grita por qualquer coisa. Ela se cala e compreende – “afinal, ele está nervoso”. Depois ele implica com sua comida, grita com as crianças, briga porque a casa não está arrumada. E a chama de vagabunda. Ela engole seco. Doeu. Lágrimas escorrem e ela as esconde para não irritá-lo ainda mais.

Vagabunda ... essa palavra ressoa fundo. “O que está acontecendo? Tudo ia tão bem!?  Foi nervosismo, não se pode levar muito a sério. Amanhã, quando acordar, ele voltará a ser o que era. Tenho que Ter paciência, afinal, ele é um pai tão bom! Nunca deixa faltar nada em casa...

Num outro dia, numa briga corriqueira por causa das crianças, ele lhe dá o primeiro tapa. Ela se assusta; e depois do primeiro muitos outros. O sonho começa a desmoronar...

Você já deve ter escutado, presenciado ou mesmo vivido uma história como essa; nesse momento, em algum lugar, ela deve estar se repetindo. Muito mais do que a história de uma mulher, é a história de muitas mulheres. É algo que elas têm em comum. Por que será que se repete em tantas vidas?