quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ONU reivindica fim de violência contra as mulheres

Nações Unidas, 23 nov (Prensa Latina) As Nações Unidas instou hoje aos governos a pôr fim à epidemia da violência contra as mulheres e meninas e afirmou que "só então viveremos em um mundo mais justo, pacífico e equitativo".

O apelo está contido em uma mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, com motivo da comemoração amanhã no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, instaurado pela Assembléia Geral em 1999.

O texto adverte sobre as múltiplas formas de violência contra as mulheres, entre elas a violação, a agressão doméstica, o assédio no trabalho, os abusos na escola, a mutilação genital feminina e a violência sexual nos conflitos armados.

Argumenta que esses actos são cometidos na sua maior parte por homens, e que o mero facto de ameaçarem com violência é um dos maiores obstáculos à plena igualdade da mulher.

O direito das mulheres e as meninas de viver sem sofrer violência é inalienável e fundamental e está consagrado na legislação internacional humanitária e nas normas de direitos humanos, explica a mensagem.

Ban Ki-Moon também defende conseguir a chamada tolerância zero, e para isso toda a a sociedade deve ser envolvida, especialmente os jovens.

Antes de instituir no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher, a Assembléia Geral aprovou em 1993 uma Declaração sobre o mesmo assunto.

A data de manhã será objecto de um acto especial nesta quarta-feira com a presença da diretora executiva da agência ONU-Mulheres, Michelle Bachelet, quem também emitiu uma mensagem com motivo da data.

A ex-presidenta chilena destacou que seis em cada 10 mulheres sofreram agressões físicas ou sexuais durante sua vida e mais de 600 milhões delas vivem em países que não consideram a violência doméstica como um delito.

A dirigente feminina denunciou "o silêncio cúmplice frente à violação aos direitos humanos das mulheres" e afirmou que a violência de gênero é uma ameaça contra a democracia, a paz e a estabilidade.

Também denunciou que mais de 60 milhões de meninas são obrigadas a contrair casamento, 140 milhões de meninas e mulheres sofrem mutilação feminina e 600 mil são traficadas a cada ano, a grande maioria com fins de exploração sexual.

É o momento para que os governos assumam sua responsabilidade frente à violência contra suas cidadãs e o façam com ações concretas, transparentes e com compromisso, disse Bachelet em sua mensagem.