quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Egipto: Mulheres protestam contra violência das autoridades


Foram cerca de 10 mil as mulheres que se juntaram na praça Tahrir, no centro do Cairo, numa manifestação contra a violência exercida pelas autoridades militares sobre as manifestantes, neste que já é o quinto dia consecutivo da nova vaga de confrontos violentos no Egipto.

Em causa estão as imagens polémicas divulgadas esta semana onde se vê um conjunto de militares a arrastar uma mulher pelos cabelos, pisando-a e agredindo-a até ficar com o soutien e a barriga à mostra. Imagens da violência e repressão feroz aos manifestantes que chocaram a opinião pública e, sobretudo, os cidadãos do país.

Carregando cartazes com fotografias do dito episódio, a multidão feminina gritava: «Tantawi despiu as mulheres egípcias, juntem-se a nós [na manifestação]», referindo-se ao marechal de campo Hussein Tantawi, o líder da junta militar que governa o país.

Ainda antes do final da manifestação, o Conselho Supremo das Forças Armadas emitiu uma declaração excepcionalmente forte de arrependimento por aquilo a que chamou de «violações contra as mulheres» - um passo no mínimo diferente daquilo que costuma ser feito, já que o conselho militar sempre se recusou a admitir e a valorizar os abusos denunciados das autoridades.

Além de prometer punir os responsáveis, o Conselho manifestou o seu «profundo pesar às grandes mulheres do Egipto» e afirmou «o seu respeito e total apreço» pelas mulheres e pelo seu direito de participação na vida política.

Pelo menos 13 pessoas morreram desde o início dos confrontos, na passada sexta-feira, na sequência de um protesto contra a nomeação do primeiro-ministro Kamal al-Ganzouri, que pertencera ao regime do antigo presidente Mubarak.

Esta segunda-feira registou-se um pico de violência nos confrontos, com os soldados a invadir a praça central do Cairo munidos com bastões e granadas de gás lacrimogéneo usados para dispersar a multidão. Episódios que têm dado incentivo à rebeldia dos manifestantes.
AP/SOL