terça-feira, 21 de agosto de 2012

A violência contra a mulher atinge níveis alarmantes

Por: Gilberto Macuácua

A relatora especial da ONU sobre violência contra a mulher afirmou no  dia 25 de Junho de corrente ano que, mais mulheres e meninas estão sendo assassinadas por seus parceiros familiares. Segundo Rashida Manjoo, a violência de género atingiu proporções "alarmantes".

Manjoo apresentou o seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. De acordo com ela, a maior parte das vezes os crimes contra as mulheres, ocorrem em casa.

A relatora destacou que, as mortes de mulheres e meninas em "nome da honra da família" estão sendo cometidas com altos níveis de impunidade em várias partes do mundo. Rashida Manjoo afirmou que muitos Estados falham em garantir o direito às mulheres a uma vida sem violência.

Moçambique
Na minha opiniao, o nosso país, não foge muito à regra, olhando as reportagens dos últimos meses transmitadas pelos órgãos de comunicação social, mulheres e meninas sofrem as várias formas de violência todos os dias, onde, são insultadas, arrancadas o patrimônio em caso de os parceiros morrerem, violadas sexualmente e agredidas fisicamente muitas vezes até a morte por pessoas sem escrúpulos. Algumas vezes, os perpetradores são identificados  e até chegam a ficar impunes e outras não, há casos também, de serem pessoas muito próximas às vítimas  dentre eles maridos, namorados, padrastos e sogros. Em alguns circulos, chega-se a levar à crença de que, a violência cometida por homens contra as mulheres seria aceitável e inevitável.

SADC
A triste realidade em que as mulheres estão mergulhadas, não só se verifica em Moçambique, mas também, um pouco por toda a África Austral. Em conversa com alguns delegados da Sociedade Civil provenientes de alguns paises da SADC (África do Sul, Madagascar e Malawi) reunidos em Maputo, a margem das reuniões que antecedem o encontro dos Chefes de Estados da reigião, disseram que as mulheres nos seus paises são as que mais sofrem violência e destacaram igualmente as violações sexuais que em algumas das vezes estão relacionadas com as crenças erradas que homens infectados com o vírus de HIV pode se curar bastando para tal, manterem relações sexuais com virgens, agressões fisícas e assassinatos estes, muitas vezes movidos por ciúmes quando se tratar de maridos ou namorados e por vezes estão relacionados as violações sexuais cometidas por desconhecidos.

Saidas Possiveis
Infelizmente, a maior parte destes crimes, são protagonizados por homens. O que mostra que, estes, são parte do problema e que não devem ser ignorados em todos esforços empreendidos para a solução do mesmo.

Na minha opinião, socialização masculina deve ser revista a nível dos paises da SADC e é importante que os homens estejam envolvidos neste processo.

A abordagem de envovimento de homens no combate a violência contra a mulher já provou trazer bons resultados em alguns paises tais como Brasil e Estados Unidos da América.

Uma das causas da violência apontada em vários paises incluindo Moçambique, tem que ver com a socialização masculina e uma das soluções proposta para o combate a este mal, é o envolvimento de homens em um processo reflexão sobre o modelo de socialização masculina vigente na sociedade, o que lhes permitirá apurar, o quanto algumas normas sociais podem conduzir a práticas nocivas, como por exemplo a violência e podem também atrasar o desenvolvimento.

Em Moçambique por exemplo, ainda que incipientes os esforços neste sentido, alguns resultados imediatos já se notam, como por exemplo, a aderência cada vez mais crescentes de homens em iniciativas contra a violência promovidas pela Rede Homens Pela Mudança, Programa de Televisão Homem que é Homem e outras organizações nacionais e internacionais. Este é um pequeno passo e encorajador de muitos e longos a serem dados e mostra que a mudança, é possivel.

Os paises da SADC, são constituidos por sociedades na sua maioria dominadas pelo patriarcado. Os homens, desde cedo são educados a serem a voz de comando ou seja,  superiores as mulheres, o que muitas vezes,  propicia para que alguns deles façam o uso deste privilégio que a sociedade deu para cometer actos que atentam aos direitos humanos das mulheres e sem se darem conta de que estes problemas, contribuem sobremaneira para o aumento da pobreza nos nossos paises.

Por outro lado, fica claro o fraco conhecimentos dos instrumentos nacionais e regionais sobre direitos humanos por parte de homens e mulheres, o que constitui também um factor muito importante de violações constantes dos mesmos e sem que haja alguma cobranças e ou reacções significativas para pôr termo ao problema.

Maior divulgação destes instrumentos, mostra-se muito necessário e deve fazer parte da agenda nas estratégias de combate a violência em todos os paises da SADC.