segunda-feira, 6 de maio de 2013

Ser Homem a todo custo tem custos


Certo dia, por volta das 19 horas, estava eu sentado num dos cafés-bar, no centro da  cidade de Chimoio, provincia de Manica tomando o meu cafezinho como faço habitualmente, é minha “mania”, depois de uma longa jornada de trabalho. Ao lado da mesa onde eu me encontrava, estavam dois jovens numa conversa animada.

A dado momento, o jovem que aparentava ter por aí, 25 anos de idade, disse ao amigo que não estava feliz, porque casou-se a três anos e a mulher não estava ainda capaz de lhe dar um filho que ele tanto desejava. Disse ainda que, sofria uma pressão familiar sobretudo por parte da mãe dele, que insistentemente dizia que ele devia procurar uma outra mulher, uma vez que, a actual não serve para nada e que ele ainda não provou a familia que é um homem de verdade.

O amigo com quem ele conversava e que  aparentava ter a mesma idade dele, concordou e disse que  um homem casado sem filho, ainda não é um homem completo.

Eu estava ouvindo com muita atenção a conversa dos dois, afinal, estes assuntos interessam-me muito.
O visado acabou soltando o seguinte e batendo bem forte a mesa com punho direito: “ Mano! Estou a dizer-te. Ela só será minha mulher de verdade, no dia que me der um filho, se passarem mais seis meses sem grávida, eu mando embora e fico com aquela gaja de bairro 3, que pelo menos ja tem um filho de 5 anos. E ela é muito bonita também.  

Estas palavras, chamaram mais a minha atenção e aumentaram o meu nível de preocupação porque vejo dois homens que olham mais para eles mesmos do que para a mulher que supostamente não consegue gerar um filho, como se ela fosse um produto adquirido num supermercado e que quando não funciona deita-se fora. E vejo também muitos outros homens que se encontram na mesma situação a agirem do mesmo jeito.

A pergunta que me coloquei foi a seguinte: Será que estes homens tem noção do que estão falando ou fazendo?

Aparentemente não. Mas porque não?

Porque, a sociedade moçambicana adoptou um modelo social de masculinidades que contém várias expectativas em relação ao homem, uma delas por exemplo, é de que um homem deve ter pelo menos um/a filho/a para ser considerado um homem de verdade.

Esta questao está enraizada na nossa sociedade pelo que, consciente ou incoscientemente e por força da pressão social, tentamos nós homens a todo custo, responder a esta expectativa sobre tudo depois de casarmos ou juntarmo-nos a uma mulher sem nos darmos conta das consequências.

Ora! Tentar ser homem a todo custo tem custos, acabamos muitas vezes, por tomar atitudes que são prejudiciais a nós mesmos e sobretudo à mulher em causa. Somos obrigados a abandonar a mulher que amamos só porque não faz filhos, somos obrigados a ter duas mulheres só porque a mulher com quem casamos não faz filhos, somos obrigados a estar expostos ao risco de contrair infecções de transmissão sexual uma vez que temos que experimentar com outras e por vezes várias mulheres só porque a mulher com quem casamos não faz filhos, enfim, obrigados a passar por muitas coisas que não nos fazem bem e ainda por vezes, descobrimos que quem não faz filhos na verdade somos nós. Dói e como dói. Eu particularmente, conheço muitos casos assim.

Outra coisa que é importante referir é que, todas essas coisas apenas nos fazem despender muito esforço em vão, no lugar de nos concentrar em construir a nossa vida com a nossa amada.

Pensemos nisso!
É mais um desses casos para dizer que, precisamos de desconstruir este modelo actual de masculinidades e construirmos outro que seria saudável todos nós.

Contudo, se estamos realmente satisfeito, podemos também optar por manter. Eu é que não me conformo.

Por: Gilberto Macuácua